Autorregulação, TEPT e dores crônicas

Embora os benefícios para a saúde geral e para a sensação de bem-estar tenham sido associados a uma maior coerência cardíaca, também há evidência mais especificamente relacionada às populações submetidas a altos níveis de estresse.

Um estudo do centro médico de veteranos William Jennings Bryan Dorn em Columbia, South Carolina, Estados Unidos, realizado com soldados que haviam retornado recentemente do Iraque, e que foram diagnosticados com TEPT (Transtorno do Estresse Pós Traumático) descobriu que períodos relativamente breves de treinamento em coerência cardíaca resultaram em melhora significativa de uma ampla gama de funções cognitivas, correlacionadas a uma maior coerência cardíaca.

Este estudo também descobriu que os dados da variabilidade da frequência cardíaca (VFC, ou HRV em inglês) em repouso, nas pessoas com diagnóstico de TEPT, tiveram menor VFC e coerência cardíaca que os sujeitos do grupo controle sem TEPT.

Num estudo realizado em pacientes com cefaleias severas, descobriu-se que o treinamento da autorregulação da emoção, combinado com o feedback cardíaco resultou em relações significativamente maiores de coerência cardíaca e de altas pontuações da atenção. Além disso, a classificação do controle emocional feita pelas famílias dos participantes foi correlacionada com melhores índices da VFC.

Num estudo realizado com veteranos de guerra, que voltaram com dores crônicas, foram realizadas medidas antes e depois da VFC, da coerência cardíaca, da dor percebida, do estresse, das emoções negativas e da limitação da atividade física para ambos os grupos, tratado e controle. O grupo tratado recebeu instruções sobre as técnicas de autorregulação, que incorporam respiração controlada e a autoindução de emoções positivas, ou neutras, juntamente com o uso de um dispositivo de biofeedback VFC, para verificação do atingimento da coerência cardíaca.

Esta técnica foi praticada em sessões de treinamento de biofeedback cardíaco durante quatro semanas, e foi seguida por uma avaliação pós-treinamento da dor, do estresse e da VFC. Os participantes do grupo controle simplesmente retornaram ao laboratório para serem submetidos a uma avaliação de seguimento quatro semanas depois da avaliação inicial. O grupo tratado mostrou aumento acentuado e estatisticamente significativo da coerência cardíaca (191%), junto com reduções significativas da dor (36%), da percepção do estresse (16%), das emoções negativas (49%) e das limitações das atividades físicas (42%).

Outro estudo, realizado com pacientes de uma clínica ambulatória de reabilitação de dor de um hospital universitário da Holanda, examinou os benefícios de acrescentar o treinamento da autorregulação e da coerência cardíaca através do biofeedback VFC a um programa para pacientes com dor nas costas crônica não específica, para explorar os possíveis moderadores do sucesso do tratamento. O objetivo secundário foi testar e relação existente entre a coerência HRV na alta hospitalar e a percepção de dor, incapacidade e estado da saúde. Foi estabelecida a hipótese que uma maior mudança da coerência cardíaca poderia estar relacionada a alterações da percepção da dor, da incapacidade e do estado da saúde.

Um total de 170 pacientes com dor nas costas crônica e não específica foi incluído no estudo. Destes pacientes, 89 foram designados ao programa padrão de tratamento, e 81 deles foram designados ao mesmo programa e ao treinamento em coerência cardíaca. Um médico especialista em reabilitação aprovou a inclusão de cada participante.

Na avaliação basal antes do tratamento e na alta, os pacientes preencheram um conjunto compreensivo de questionários, que incluíram dados demográficos, o Índice de Incapacidade pela Dor, o questionário de incapacidade Roland Morris, a escala numérica de classificação (da dor) e a RAND 36. A técnica de coerência cardíaca foi avaliada através de um procedimento padrão antes do início e após a alta, usando medidas da VFC durante 5 minutos.

O treinamento da coerência cardíaca e das técnicas de autorregulação foi oferecido seis vezes, uma vez por semana num ambiente individual com uma hora de duração. Os pacientes praticaram o uso dessas técnicas em casa.

O grupo do programa padrão foi cuidado individualmente por experientes fisioterapeutas. Esse programa foi focado nos aspectos físicos, como o aumento da capacidade física e em aspectos comportamentais. A duração foi de 12 semanas, num total de 24 horas.

Ambos os grupos tiveram melhoras significativas da dor, do questionário Roland Morris, da escala numérica da dor e da maioria das 36 subescalas Rand. Em relação à função física, o grupo da coerência cardíaca teve uma melhora significativamente maior que a do outro grupo (p = 0,02). O programa que incluiu a coerência cardíaca foi mais eficaz que o outro programa.

Fonte: https://www.heartmath.org/research/science-of-the-heart/health-outcome-studies/

Nos próximos posts veremos um resumo de outros benefícios obtidos com o uso do biofeedback cardíaco em pacientes em diferentes situações clínicas.

Você sabe que no Brasil já existe uma ferramenta de biofeedback cardíaco (HRV) disponível para auxiliar no tratamento da ansiedade? Para saber mais sobre essa ferramenta chamada cardioEmotion, faça download do e-Book “Como tornar visível o invisível: visualizando as reações psicofisiológicas por meio de biofeedback”.


Sobre o autor deste post: Colunista do blog do cardioEmotion, Dr. Fernando é formado em medicina pela USP, pós graduado em administração de empresas pela FGV, possui mais de 40 anos de experiência como executivo de sucesso em empresas multinacionais do ramo farmacêutico, além de escritor e tradutor sênior.